As circunstâncias da vida proporcionam a qualquer pessoa momentos de alegria e de tristeza, esta é uma condição de ser-se humano.

Porém, para aqueles que sofrem de uma perturbação bipolar, os períodos de alegria e tristeza parecem surgir do nada, apresentam-se de forma intermitente e, quer um quer outro, são experienciados com tamanha profundidade que chegam a ser exponencialmente perigosos, tanto para o próprio como para os outros.Deste modo, existem períodos da vida destas pessoas que são pautados ora por sintomas depressivos (fase depressiva) ora por sintomas de euforia (fase maníaca).

Em fase maníaca, a pessoa vivencia elevados níveis de alegria e otimismo, hiperatividade, sensações de muita energia, apresenta-se decidida e com disposição para arriscar seja no que for. É comum falar sem parar, de forma muito expressiva, mas tão rapidamente, que facilmente se esquecerá do que foi dito anteriormente, mudando de assunto constantemente. As ideias que pronuncia e as atividades que leva a cabo são grandiosas, muitas vezes disparatadas (pouco sentido crítico), culminando vastas vezes em comportamentos de risco, como uma sexualidade desenfreada e/ou gastos avultados em jogo ou adornos e vestuário.

Há tanta coisa a acontecer e para fazer, que se esquece de comer ou altera completamente os ritmos alimentares; e, a energia que sente fluir é tanta, que parece não se cansar, apesar de dormir muito pouco (ou mesmo, não dormir). Está em constante atividade, podendo iniciar várias em simultâneo, mas não completando nenhuma delas.Há um aumento das interações sociais e torna-se excessivamente desinibida em qualquer contexto; apresentando uma autoestima elevada, frequentemente acompanhada de sentimentos de grandeza, acreditando que possui poderes e capacidades únicas, assim como uma sensação de invencibilidade.

A pessoa que se encontra em fase maníaca ou hipomaníaca, pelo excesso de otimismo nestes períodos, tenderá a não reconhecer que precisa de ajuda.

Contrariamente ao que acontecia em fase maníaca, na fase depressiva a pessoa está frequentemente imersa em tristeza e angústia, que se estende ao meio envolvente, a vida tem pouco interesse. Encontram-se muitas dificuldades em pensar e agir. No pensamento estagnado e assolado pelo pessimismo, habitam ideias de catástrofe e morte, e, a memória retém muitos acontecimentos de tristeza e dor. De igual modo é o sentir, a culpa e a ruminação corroem, mas também o arrependimento e a vergonha (muito provavelmente até de alguns comportamentos levados a cabo em fase maníaca).A energia e boa disposição tendem a desaparecer, sinais de cansaço marcam presença, os movimentos são penosos e lentos; as palavras raramente se fazem ouvir; o olhar espelha o vazio.

O dia a dia deixa de ser prazeroso e normalmente o apetite e a vontade de dormir desaparecem (ainda que frequentemente a pessoa tenda a permanecer muito tempo na cama), sendo comum a constatação de sinais de magreza e de desleixo dos cuidados de higiene. A baixa autoestima impera muitas vezes, assim como os sentimentos de inferioridade. O desejo sexual diminui (ou extingue-se completamente) e o isolamento social é notório.

As pessoas com esta perturbação podem oscilar entre períodos maníacos, hipomaníacos, depressivos e de normalidade, sem sintomatologia evidente.

Aspetos mais frequentes visados pela intervenção psicológica:

  • Informar e educar acerca da patologia, aumentando a compreensão dos seus sintomas, assim como a medida em que afeta as relações (íntimas, familiares, sociais e profissionais)
  • Trabalhar a autoestima, a autoconfiança, a aceitação de si e da doença
  • Aprender a gerir fatores de stress, dado que estes predispõem para o desencadear de episódios quer maníacos quer depressivos
  • Adquirir estratégias de resolução de conflitos
  • Adquirir ou recuperar hábitos de vida saudáveis (alimentares, ciclos de sono, etc.) que atuem preventivamente no surgimento das crises maníaco-depressivas
  • Identificar e modificar crenças desadaptativas construídas acerca de si próprio
  • Identificar e alterar padrões habituais de pensamentos negativos que contribuem para o humor deprimido
  • Possibilitar uma vida saudável, feliz e produtiva, devolvendo algum controlo e esperança às pessoas que sofrem com esta patologia