Existem aspetos da vida de um obsessivo-compulsivo que são frequentemente pautados por pensamentos, impulsos ou imagens recorrentes e persistentes, que surgem de forma indesejada e intrusiva, causando níveis de ansiedade que interferem significativamente no quotidiano.

Estas obsessões podem englobar conteúdos de natureza agressiva (medo de perder o controlo sobre os seus impulsos, magoar-se ou prejudicar-se a si próprio ou a outros); sexual (pensamentos ou impulsos) ou religiosa (manifesto em dúvidas ou em normas morais excessivas); preocupação com ordenação de objetos e sua simetria, necessidade de contar, perguntar e esclarecer ou ainda pensamentos persistentes de dúvida ou medo de ser contaminado por micróbios ou por sujidade, e ainda medo de determinados números, cores e palavras específicas, é também frequente a ocorrência de pensamentos mágicos, de acordo com as idiossincrasias da pessoa, entre outras. Inicialmente, surgem vindas aparentemente do nada, e apesar dos esforços no sentido contrário, tendem a persistir.

No sentido de aliviar a ansiedade causada e receando que algo de catastrófico possa acontecer, é frequente tentar ignorar ou suprimir esses pensamentos, impulsos ou imagens ou mesmo procurar neutraliza-los com base noutro pensamento ou ação, desencadeando a compulsão. As compulsões, ou rituais compulsivos, apresentam-se de forma voluntária, repetitiva e intencional e traduzem-se, de forma estereotipada, em comportamentos repetitivos como limpeza (pessoal, da casa ou de objetos), ordenação e organização de objetos em local especifico e dispostos de forma simétrica, verificação daquilo que se fez (como fecho das portas e janelas, desligar o ferro de engomar, o gás) e pedidos de tranquilização, por exemplo, através de número de toques ou batimentos específicos; ou ainda atos mentais (pensamentos) como orações, contagens de objetos, repetição de palavras silenciosamente. Estes rituais são levados a cabo de acordo com regras específicas e idiossincráticas, que têm de ser aplicadas rigidamente em resposta a determinada obsessão.

Uma grande parte do sofrimento inerente a esta perturbação está associada ao fato de, maioritariamente, as pessoas reconhecerem que os seus pensamentos e ações são absurdos e desprovidos de sentido lógico; impera um sentimento de impotência para combater a sintomatologia, e há um desgaste produzido na tentativa de esconder o que se passa consigo, que se faz acompanhar do medo da avaliação dos outros. Esta patologia, quando não tratada devidamente, tende a piorar com o tempo.

Aspetos mais frequentes visados pela intervenção psicológica:

  • Psicoeducação relativa ao quadro clínico
  • Identificar pensamentos, imagens e impulsos e seus significados idiossincráticos
  • Instruir relativamente à dicotomia pensamento/ação (pensar não é o mesmo que fazer)
  • Identificar e modificar esquemas relacionados com o perigo e com a responsabilidade ou outros mais específicos
  • Avaliar estimativas de risco e analisar evidências
  • Analisar os custos e benefícios associados às preocupações e distinguir preocupação útil de inútil
  • Trabalhar características de perfecionismo e de responsabilidade exacerbada
  • Desenvolver estratégias de coping
  • Aprender técnicas de relaxamento e de aceitação
  • Adquirir técnicas de mindfulness
  • Diminuir ou eliminar comportamentos de segurança, compulsões/rituais
  • Trabalhar com técnicas de exposição com prevenção de resposta que têm como objetivo:
    • Identificar situações temidas
    • Diminuir os níveis de ansiedade
    • Eliminar rituais
  • Treinar competências para prevenir recaídas