Quando falamos de ansiedade importa realçar que dentro de determinados valores, esta terá uma função adaptativa no ser humano. A ausência de ansiedade pode sugerir doença e a ansiedade em demasia doença poderá sugerir.

Em diversas situações do nosso quotidiano, o medo desencadeia uma resposta emocional preventiva a algo que é percebido como uma ameaça real, zelando pela nossa segurança. Porém, a ansiedade funciona como antecipação a ameaças futuras que ainda não aconteceram e poderão nunca vir a acontecer.

As perturbações de ansiedade manifestam níveis de medo ou ansiedade excessivos e persistentes para além dos períodos de desenvolvimento adequados. Surgem frequentemente na infância e quando não devidamente tratadas tendem a persistir na idade adulta.

Na ansiedade exacerbada é frequente existir um foco de atenção na frequência dos batimentos cardíacos, hiperventilação, respiração acelerada ou aprofundada, sudação, sensações de calor ou frio, contrações musculares, rubor, tonturas e tremores.

De uma forma geral, há antecipação do sofrimento, exacerbação do perigo, dificuldades de concentração, hipervigilância, pensamentos ruminativos e repetitivos, medo de perder o controlo, de morrer, de desmaiar ou enlouquecer, sensações de irrealidade e despersonalização.

Poderá também sentir medo do próprio medo, preocupação, inquietação e irritabilidade, tendência para paralisar, fugir ou evitar. 

Aspetos mais frequentes visados pela intervenção psicológica:

  • Explicar a função adaptativa do medo
  • Esclarecer a relação entre pensamentos, emoções e comportamentos
  • Identificar e questionar a validade de pensamentos automáticos negativos e de crenças erróneas
  • Procurar evidências a favor e contra as avaliações e interpretações de situações causadoras de ansiedade
  • Desenvolver estratégias de coping
  • Ensinar técnicas de respiração e de relaxamento, no sentido de autorregular os sintomas de ansiedade
  • Adquirir técnicas de mindfulness e de aceitação
  • Trabalhar com técnicas de exposição e dessensibilização que têm como objetivo:
    • Identificar e testar cognições mal adaptativas
    • Alterar a experiência emocional de medo
    • Intensificar a sensação de controlo sobre a situação, desenvolvendo a autoeficácia
  • Promover a autonomia, transformando sentimentos de impotência e evitamento numa atitude pró-ativa; e, percecionando de forma consciente as suas reais possibilidades de escolha